A tuberculose continua a representar um importante desafio de saúde pública em Moçambique. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, milhares de pessoas continuam a necessitar de cuidados, enquanto alguns casos permanecem por identificar. A doença pode afetar pessoas de diferentes idades e condições sociais, sendo particularmente preocupante quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é concluído.
Em maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que Moçambique continuava entre os países com maior carga de tuberculose no mundo. A organização destacou progressos no tratamento preventivo e no sucesso terapêutico, mas também a necessidade de reforçar a deteção precoce e o combate às formas resistentes aos medicamentos.
O que é a tuberculose e como se transmite?
A tuberculose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis. Afeta principalmente os pulmões, embora também possa atingir outras partes do corpo, como os gânglios linfáticos, os ossos, os rins e o cérebro.
A transmissão ocorre sobretudo pelo ar, quando uma pessoa com tuberculose pulmonar infecciosa tosse, fala ou espirra e liberta partículas que podem ser inaladas por outras pessoas. A convivência prolongada em espaços fechados e pouco ventilados pode aumentar o risco de transmissão. A doença não é normalmente transmitida pelo simples aperto de mão, pela partilha de um prato ou pelo contacto casual com objetos.
Nem todas as pessoas infetadas desenvolvem a doença ativa. Em algumas, a bactéria permanece inativa e não provoca sintomas, mas a doença pode desenvolver-se posteriormente, sobretudo quando as defesas do organismo estão enfraquecidas.
Sintomas que não devem ser ignorados
Os sinais da tuberculose podem surgir gradualmente e, no início, ser confundidos com uma gripe prolongada ou outras doenças respiratórias. Entre os sintomas mais frequentes estão a tosse persistente, por vezes acompanhada de expetoração ou sangue, dor no peito, febre, suores noturnos, cansaço intenso, fraqueza e perda de peso sem explicação.
A presença destes sintomas não confirma, por si só, que uma pessoa tenha tuberculose. No entanto, uma tosse prolongada, especialmente quando acompanhada de febre, emagrecimento ou suores noturnos, deve motivar uma avaliação numa unidade sanitária. Não é necessário esperar que apareçam todos os sintomas para procurar ajuda.
Nas crianças, a doença pode manifestar-se de forma menos evidente, incluindo perda de peso ou dificuldade em ganhar peso, febre persistente, cansaço e tosse. Quando uma criança teve contacto próximo com alguém diagnosticado com tuberculose, é importante procurar avaliação médica, mesmo que os sinais sejam ligeiros.
Diagnóstico e tratamento em Moçambique
O diagnóstico é feito nos serviços de saúde através da avaliação clínica e de exames apropriados. Dependendo da situação, podem ser solicitadas análises de expetoração, testes moleculares rápidos e radiografia do tórax. A identificação precoce permite iniciar o tratamento e reduzir o risco de transmissão a outras pessoas.
A tuberculose é geralmente curável quando o tratamento adequado é seguido corretamente. Os medicamentos são fornecidos de acordo com os protocolos clínicos e o tipo de tuberculose diagnosticado. A duração depende do esquema prescrito, podendo ser de vários meses.
Interromper os medicamentos por iniciativa própria, mesmo quando os sintomas desaparecem, pode comprometer a cura e favorecer o desenvolvimento de resistência aos antibióticos. As pessoas que apresentam efeitos secundários ou dificuldades em continuar o tratamento devem conversar com os profissionais de saúde, em vez de suspender a medicação sem orientação.
Como prevenir a transmissão?
A prevenção depende da identificação rápida dos casos, do tratamento correto e de medidas que reduzam a exposição ao ar contaminado. Manter os espaços ventilados, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e seguir as orientações da unidade sanitária são medidas importantes. Quando indicado, o uso de máscara também ajuda a reduzir o risco de transmissão.
A vacina BCG, administrada na infância segundo o calendário nacional de vacinação, protege sobretudo contra formas graves de tuberculose em crianças pequenas. Pessoas que vivem com alguém diagnosticado devem informar-se sobre o rastreio e, quando recomendado, o tratamento preventivo.
É igualmente importante combater o preconceito. A tuberculose é uma doença que pode afetar qualquer pessoa, e o apoio da família e da comunidade ajuda os doentes a procurar assistência e a completar o tratamento.
