Nampula continua sob pressão da malária
A malária continua a representar um dos principais problemas de saúde pública na província de Nampula. Em maio de 2026, deputados da Assembleia da República manifestaram preocupação com o elevado número de casos registados na província e defenderam o reforço das medidas de combate à doença.
Segundo dados apresentados pelas autoridades provinciais, a malária representava 96,3% dos casos de doenças de notificação obrigatória que procuraram os serviços de saúde em Nampula. Embora tenha sido registada uma redução de 32,3% dos casos no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, os óbitos aumentaram 16,7%. Os distritos de Nampula, Monapo, Ribáuè e Nacala estavam entre os locais destacados pela evolução das mortes. A dimensão do problema também pode ser compreendida através dos dados nacionais. No relatório estatístico de saúde referente a 2024, Nampula registou mais de 2,8 milhões de casos confirmados de malária, o maior número entre as províncias naquele ano.
Por que a malária continua tão preocupante?
A malária é causada por parasitas do género Plasmodium e é transmitida principalmente através da picada de mosquitos Anopheles infetados. Em regiões onde existem condições favoráveis à reprodução dos mosquitos, a transmissão pode manter-se elevada durante períodos prolongados. As chuvas e as inundações podem agravar o problema ao criar ou aumentar os locais onde os mosquitos se reproduzem. Um estudo publicado em 2026, com participação do Programa Nacional de Controlo da Malária de Moçambique, analisou a relação entre precipitação, tempestades e os casos de malária registados pela vigilância nacional, reforçando a importância dos fatores climáticos na dinâmica da doença.
A situação torna-se ainda mais complicada quando as populações afetadas por cheias ou outros desastres enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde, mosquiteiros, medicamentos e diagnóstico.
Crianças continuam entre as mais vulneráveis
As crianças pequenas estão entre os grupos que podem desenvolver formas graves de malária. A doença pode começar com febre, arrepios, dor de cabeça, fraqueza e mal-estar, mas pode evoluir rapidamente para anemia grave, alterações da consciência, convulsões, dificuldade respiratória e outras complicações. Por isso, uma criança com febre numa região onde a malária é comum deve ser levada a uma unidade sanitária para avaliação. O diagnóstico e o início rápido do tratamento podem fazer uma diferença importante na evolução da doença.
O que pode explicar a diferença entre casos e mortes?
A redução dos casos é uma notícia positiva, mas o aumento das mortes merece atenção. Uma diminuição no número total de casos não significa necessariamente que a doença esteja sob controlo em todas as comunidades. O acesso tardio aos cuidados de saúde, dificuldades de transporte, diagnóstico tardio, casos graves, condições de saúde pré-existentes e interrupções nos serviços de saúde podem contribuir para resultados mais graves.
As inundações ocorridas em Moçambique em 2026 também colocaram pressão sobre os serviços de saúde. Uma análise publicada pela Nature Africa relatou que 229 unidades sanitárias foram danificadas ou inundadas durante a crise, afetando a capacidade de resposta justamente quando doenças como malária e cólera estavam a representar uma preocupação.
Como prevenir a malária em Nampula?
A prevenção depende de várias medidas combinadas. O uso correto e regular de mosquiteiros tratados com inseticida, a eliminação de possíveis criadouros de mosquitos, a proteção das habitações e as campanhas de controlo do vetor são importantes para reduzir a transmissão. Também é fundamental procurar rapidamente uma unidade sanitária perante sintomas suspeitos. A automedicação pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
A situação de Nampula demonstra que o combate à malária não depende apenas da redução dos mosquitos. É necessário manter a vigilância epidemiológica, garantir medicamentos e testes disponíveis, proteger as populações vulneráveis e assegurar que os serviços de saúde consigam funcionar mesmo durante períodos de chuvas e emergências. Enquanto os casos continuam a representar uma grande carga para os serviços de saúde e os óbitos permanecem preocupantes, a malária continuará a exigir atenção das autoridades e das comunidades de Nampula.
